Apresentação - Cena MUZENZA

  





Nessa cena trouxemos o resultado de uma relação entre a trilha e construção corporal, inicialmente elaboramos a composição sonora que une o hino do G.R.E.S da Piedade, a canção Yaô do grupo Edún Àra Sangô e o funk do Dj Edgar. A concepção da trilha é marcada por interrupções, assim como a trajetória musical do funk, do samba e dos candomblés que são atravessadas por um percurso não linear, devido à construção histórica de opressão da arte negra no Brasil. O hino da piedade faz uma menção às raízes da comunidade do samba, a canção Yaô é utilizada sem os instrumentos, apenas as vozes com um edição que remete a uma robotização, mas ao mesmo tempo a voz sem o instrumento “legenda” a histórica que o espetáculo busca apresentar  e tudo entrelaçado pelo funk.




A proposta corporal surgiu de um processo criativo em que os bailarinos elaboram os movimentos a partir da descrição gestual de um Yaô no processo ritualístico de um terreiro, informações retiradas da tese de Elizabete Barros (2007). Com os movimentos elaborados, estruturamos uma organização coreográfica que entrecruza os movimentos desenvolvidos com um jogo de anacronismo. Sempre que entra o funk os bailarinos realizam movimentos em câmera lenta, uma interrupção, quando a música volta para a cadência do samba eles dão continuidade aos movimentos em uma frequência regular.


1 - Vídeo ensaio, câmera dinâmica:

https://youtu.be/atQvQ5F0O10


2 - Vídeo apresentação, câmera parada:

https://youtu.be/ipdwAPaevRI


Imagens do desenrolar das cenas:






 TRILHA FINAL



Em quatro sets  apresentamos a emergência de ritmos e espaços temporais que entrecruzam candomblés, funk e samba. O primeiro é uma viagem pela pulsação do funk dos anos 90, o cotidiano da cura pelas plantas, o ensinamento ao muzenza e uma provocação sobre a substituição da sabedoria das plantas pela medicina científica ocidental. No segundo tratamos das curas pelas folhas de Ossain e a sua conexão com os conhecimentos da oralidade e sabedoria das ervas. No terceiro adentramos no território de Oxóssi, orixá das matas, da prosperidade e do sustento. Uma saudação ao tempo, para que dias melhores possam surgir, no que tange a nossa relação com a natureza e os saberes ancestrais. O último set é um ilá, quando os muzenzas saúdam e dançam às ervas e suas raízes da afrodiáspora ao som do funk.


TRILHA


https://on.soundcloud.com/LjghethRyGEo2TnBA


https://drive.google.com/drive/folders/1sYT6P6G9QqzXeehpyW1cnZlPoQO6q2U4?usp=drive_link




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Artigos finais da disciplina

Próxima Fase do Curso: Processo criativo