# Pensamentos sobre o som no processo de criação
Dentro do processo de criação que estamos vivenciando, ando pensando o som como uma espécie de paisagem sonora, que, para além de construir algum sentido estrito sobre o que se escuta, é tentar jogar com informações sonoras que ajudem a construção de um espaço, de um ambiente. A ideia de utilizar sonoridades como o de trens, batuques de congo, hino de Uberlândia, vozes de multidão, freadas de ônibus, etc. é tentar construir uma imersão que o espectador fique localizado num tempo-espaço, aqui, tentando remete-los à cidade de Uberlândia, e também uma ideia de transcurso temporal, de um passado mais rústico e prosaico até seu momento desenvolvimentista.
Além destes dispositivos mecânicos, de sonoridades e áudios gravados, temos outros dois elementos que considero importante. Primeiro, temos a narração que é executada dentro do vídeo, que também se coloca neste lugar de construção de sentido e como uma fonte mais clara de uma progressão narrativa, e além deste recurso, em determinado momento também faço uma percussão corporal, batendo nas pernas, o que cria também outra camada sonora.
Neste sentido, todos os elementos que aqui são sobrepostos, justapostos e extrapolados no momento da edição, ajudam a construir o ambiente que quero alcançar, tendo várias fontes, vozes e durações. O exercício de compor este áudio foi bem divertido, apesar de não dominar a ferramenta de edição (tive que ir aprendendo a mexer.... método tentativa e erro), foi bem interessante. Esta operação composicional te dá um senso de domínio do que está sendo criado, mesmo dentro de uma linguagem diferente da que estamos habituados e em práticas que somos visitantes.
Confesso que este jogo de criação foi bem bem curioso.
A possibilidade de mixar, aumentar faixas, distorcer seu tom, colocar efeitos e uma gama de possibilidades que a ferramenta permite foi instigadora. De modo geral, depois deste experimento fiquei pensando em outras camadas que poderiam ser acrescentadas, momentos que poderiam ser alocados ou retirados, e assim o exercício de composição e de criação vão sendo mobilizados.

Comentários
Postar um comentário