Terceira atividade: Espacialização

 Qual o contexto desse projeto? 

A performance foi gravada pensando em uma exposição de arte sobre finitude. As atrizes passaram um tempo enxertando plantas em outras plantas e a proposta pensada espacialmente nesse contexto foi a de gravação em estúdio para que a espacialização acontecesse dentro do espaço expositivo, com o vídeo inserido no espaço de exposição dessas plantas formatadas pelas atrizes. 

O projeto foi suspenso por uma mudança de perspectiva do que esse projeto poderia vir a ser e a pesquisa utilizada para ele se tornou base para o desenvolvimento de projeto em outra linguagem. 

Porém, revisitando a gaveta de projetos, eu e Beta (a outra performer) decidimos que ele teria potencial e gostaríamos de experimentá-lo como base para esse experimento, especificamente para o curso. 

As inspirações para essa performance são a filosofia japonesa de Wabi-Sabi, sobre aceitar a passagem do tempo, o kintsugi (a arte de remendar com outro o que quebrou e celebrar o tempo das coisas), o daisugi e o toriki, que são artes de enxerto, transplante e preservação de plantas.


O assunto

Estamos tratando de finitude. Montamos um cenário onde duas atrizes que não se comunicam estão trabalhando sem parar em plantas. Elas pegam pedaços de plantas e vão enxertando em outras plantas da forma que acham melhor. Elas podem costurar, colar, amarrar. Do jeito que quiserem. 

O silêncio foi uma escolha. O foco é na ação. As atrizes não se conversam porque a vida acontece. A gente vai caminhando, juntando os pedaços, trabalhando com o que a gente recebe, tentando fazer o melhor possível. Elas se esforçam para transformar a vida que tem em mãos em outras coisas. Melhorar, deixar mais bonito, mais agradável, as vezes com sucesso, as vezes sem. Mas elas não se falam, pois, no fundo, estamos sozinhos nesse caminho. 

As plantas, como era de se esperar, não sobreviveram. Por mais que a gente se esforce e tente controlar a vida. A máxima é implacável: tudo que é vivo, morre. 


O espaço da vídeoperformance

Não existe lugar neutro. Não existe neutralidade em cena. São sempre escolhas. 

Estamos em um estúdio porque entendemos que seria melhor para o produto final pensando em uma exposição de arte. Controlado. Talvez, frio. Um lugar onde poderíamos ter a mesma luz do início ao fim e onde poderíamos trabalhar em silêncio por horas sem sermos incomodadas.

Isso faz parte da cena agora. 

Mas não existe neutralidade nas escolhas e agora a nossa cena é um estúdio. Temos uma mesa azul, um espaço que vai se sujando conforme a passagem do tempo.

As atrizes estão com os mesmos tons de roupas. Claras. De modo que poderiam se sujar com o produto dos seus trabalhos. 

Escolhemos um lugar de piso claro para que a terra residual ficasse evidente. 

A mesa azul é um tom oposto ao vermelho e se contrasta com a terra e com a cor dos vasos. Além de ser uma cor complementar ao verde das plantas. 

Esse espaço se complementará e se tornará outra coisa quando a edição for finalizada  e o som e trilha forem adicionados. 



Também é uma construção do espaço quando entendemos que o projeto precisa de complementos com imagens de arquivo e outras coisas que a gente possa produzir. Aqui, vamos dar o máximo de informação possível sobre o que estaremos falando, mas sem dizer diretamente o que está acontecendo. Ficará para interpretação do observador.

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